Você conhece Agorafobia?

Um ataque de pânico pode trazer muitas consequências negativas para a vida de uma pessoa, principalmente quando ele surge de forma inesperada e se torna frequente. Quem sofre com o transtorno de ansiedade, Síndrome do Pânico, sabe que os sintomas parecem cada vez piores a cada crise, o que influencia no desenvolvimento de um medo precoce em relação a um próximo ataque.

Procurar por uma saída em qualquer lugar, evitar ambientes desconhecidos e sofrer com ansiedade só por pensar em sair de casa são sinais de uma condição bastante grave, que vem acometendo mais de 150 mil pessoas por ano no Brasil.

A Agorafobia é um transtorno psicológico caracterizado pelo “medo do medo”, no qual a pessoa apresenta sintomas parecidos com os da Síndrome do Pânico, mesmo sem estar numa crise. Isso ocorre porque os ataques de pânico passam a impressão de que a pessoa vai morrer, perder o controle ou enlouquecer, levando a mesma a pensar que não conseguiria se recuperar numa próxima vez. A partir disso, se ela estiver em um local desconhecido ou muito cheio, ela poderia acabar sofrendo ainda mais.

Uma das principais características dessa fobia é a evitação de lugares onde as crises já ocorreram ou de situações que a pessoa acredita que poderiam desencadear um ataque. Isso pode ser bastante prejudicial para a vida profissional e social do indivíduo, pois conforme o medo aumenta, se torna mais difícil relaxar e se relacionar com outras pessoas, resultando no isolamento.

Causas

A Agorafobia, assim como diversas outras fobias, geralmente está interligada a um distúrbio psicológico do indivíduo. No caso de Síndrome do Pânico, a pessoa sofre com tanto medo de uma nova crise que acaba sentindo os sintomas do ataque do pânico sem estar passando por um.

As causas da Síndrome do Pânico ainda não são exatas, mas acredita-se que elas possam estar relacionadas a fatores genéticos. Uma disfunção no sistema de alerta no cérebro é uma outra hipótese aceita, pois explicaria o medo repentino de situações que não apresentam nenhuma ameaça.

É possível desenvolver Agorafobia sem nunca ter sofrido um Ataque de Pânico?

Sim, é possível, mesmo que os casos sejam mais raros. Isso ocorre por diversos fatores relacionados a outras fobias, como medo de passar por alguma humilhação em público, ser infectado por alguma doença, ou ser vítima de um crime violento ou ataque terrorista. Crises de ansiedade muito intensas também podem acabar desenvolvendo Agorafobia e, por isso, exigem um tratamento especializado.

Sintomas

mulher com mãos no rosto, com agorafobia causada pela síndrome do pânico

Os sintomas da Agorafobia começam a surgir quando a pessoa se encontra em um local diferente ou que lhe cause dificuldades para sair sozinha, como transportes públicos, shoppings, cinemas e ambientes cheios. Além disso, apenas a ideia de estar num lugar ou situação que estimulem sua fobia acaba causando ansiedade e angústia.

Sintomas Físicos

  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Dificuldade para respirar ou sensação de sufocamento;
  • Suor excessivo;
  • Mal-estar;
  • Dor no peito;
  • Dificuldade para engolir;
  • Sensação de garganta fechada;
  • Diarreia;
  • Tremores;
  • Tonturas;
  • Zumbido nos ouvidos;
  • Desmaio.

Sintomas Cognitivos

  • Medo e constrangimento de outras pessoas por estar passando por um ataque de pânico;
  • Preocupação por achar que não conseguirá sair de um local durante uma crise de pânico;
  • Sensação de estar perdendo a sanidade;
  • Medo de perder o controle em público;
  • Sensação de que não conseguirá sobreviver sozinho;
  • Medo de ser deixado sozinho em casa;
  • Sensação de ansiedade constante.

Sintomas Comportamentais

  • Evitar locais públicos ou situações que possam gerar um ataque de pânico;
  • Não conseguir sair de casa por um longo período de tempo;
  • Precisar estar com uma pessoa de confiança para frequentar outros lugares;
  • Evitar estar distante de casa.

Riscos

mulher triste, com agorafobia causada por síndrome do pânico

A principal característica da Agorafobia é o isolamento causado pelo medo de situações constrangedoras. Isso impossibilita a pessoa de se relacionar socialmente, o que acaba afetando o trabalho ou os estudos. A qualidade de vida é consideravelmente prejudicada, pois as atividades diárias se tornam tarefas praticamente impossíveis por conta do medo de uma crise de pânico.

Outra consequência bastante negativa é a necessidade de estar perto de alguém confiável em qualquer ambiente. Isso acaba criando uma dependência que não é saudável para o bem-estar emocional, principalmente para indivíduos com mais idade. Em certos casos, pode haver conflito com pessoas próximas, pois as mesmas não conseguem compreender a situação, influenciando no isolamento.

Agorafobia e Claustrofobia: Qual a diferença?

mulher no elevador com claustrofobia

Embora possam surgir de forma conjunta num mesmo caso, a Agorafobia e a Claustrofobia são fobias que possuem características um pouco diferentes. Enquanto a Agorafobia é definida pelo “medo de ter medo”, fazendo com que a pessoa evite ambientes em que não possa sair facilmente, a Claustrofobia é caracterizada pelo medo extremo de locais fechados ou com pouco espaço, como elevadores e metrôs.

Agorafobia e Fobia Social: Qual a diferença?

É bastante comum confundir Agorafobia com Fobia Social, mas é importante ressaltar que elas se tratam de situações totalmente diferentes. Enquanto a Fobia Social é caracterizada pelo medo de relações sociais, causando pânico em situações de exposição ou críticas, a Agorafobia é o medo de não conseguir achar uma saída em locais públicos ou lotados.

Como tratar Agorafobia?

mulher deitada no sofá, relatando seus sintomas para psiquiatra

Tanto o diagnóstico quanto o tratamento devem ser feitos sob consulta de um psicologo ou psiquiatra, que irá avaliar os sintomas descritos pela pessoa e tentará identificar a causa principal do problema.

O tratamento para Agorafobia consiste em sessões de psicoterapia, nas quais técnicas serão usadas para que a pessoa enfrente o medo e se sinta mais confiante e segura perante a situações de ansiedade que desencadeiam o pânico. Atividades como Yoga e Pilates também podem ser indicadas pelo médico, pois as mesmas são capazes de trazer grandes benefícios para a diminuição dos efeitos causados pelas crises de pânico.

Dependendo da intensidade das crises, o psiquiatra pode indicar o uso de medicamentos que ajudam no controle dos sintomas e do medo, proporcionando uma sensação de relaxamento para a pessoa durante os ataques.

Agorafobia tem Cura?

Uma doença só tem cura quando apresenta uma causa bem definida. Já em casos de transtornos psicológicos crônicos, em que o fator desencadeante não é conhecido, um tratamento acompanhado por um profissional pode ajudar apenas no controle dos sintomas e diminuição das crises. Esse tratamento é realizado por meio de medicamentos e aplicação de técnicas de terapia comportamental, mas não possui uma cura.

Fontes:

https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/agorafobia/

http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v25n4/v25n4a12.pdf