Depressão na Adolescência

A depressão na adolescência é um assunto pouco abordado pelos meios em geral. O grande estigma de que a adolescência é a época das mudanças e que isso envolve ficar rebelde e com o humor facilmente alterado pode esconder uma depressão. É preciso prestar atenção no comportamento do adolescente, pode ser que ele tenha algo a dizer. A depressão nessa fase da vida pode ser desencadeada por uma diversidade de fatores, psicológicos e sociais. Fatores sociais como bullying e problemas em casa são as principais causas da depressão nos adolescentes.

Personagem Hannah Baker, da série 13 Reasons Why

Causas

É muito possível que por questões hereditárias, o adolescente desenvolva depressão, mas os fatores sociais podem ser a causa mais comum. Questões como abusos na família, bullying, eventos estressantes, pressão social e relacionamentos abusivos podem ser a causa da depressão.

Converse sobre o bullying

O bullying é uma prática comum entre adolescentes. É a agressão intencional e repetida que não é necessariamente física. Pode ser a diminuição de uma pessoa por outra, envolve agressão, humilhação e perseguição. A motivação do bullying são diversas, segundo a psicologia, a pessoa que pratica o bullying provavelmente sabe lidar com a própria raiva e com os próprios estresses. Um ambiente familiar tóxico também influencia essa prática. Conversar com o adolescente sobre isso e sobre como essa prática pode ser abusiva e influenciar na saúde mental é importante. Desmistifica o tabu em torno da saúde mental e pode impedir o adolescente de praticar ou continuar sofrendo esse tipo de abuso.

Menino sofrendo bullying

Ambiente familiar hostil

O ambiente familiar é o principal responsável pela formação da criança e do adolescente. Uma criança que cresce em um ambiente onde as relações são agressivas e violentas provavelmente sofrerá com isso na adolescência. Esse tipo de relação familiar pode criar no adolescente a necessidade de chamar atenção, seja na forma de rebeldia, uso de drogas ou atividades perigosas. Outra consequência é a depressão, já que as relações familiares são a primeira ponta com o mundo e um ambiente violento cria um emocional fragilizado.

Abuso

Qualquer tipo de abuso podem causar fragilidade psicológica. Abuso de autoridade de algum familiar, abuso sexual, abuso psicológico, relações abusivas… Os tipos de abuso são inúmeros, mas o resultado é quase sempre um adolescente acuado e reprimido, que sofre com o abuso e não sabe a quem recorrer. A melhor forma de evitar o abuso é conscientizar o adolescente desde cedo sobre os seus próprios limites. Ensinar o adolescente que qualquer coisa que passe o limite dele pode ser considerado abusivo. Esses limites devem englobar o aspecto físico e o aspecto psicológico. Importante ressaltar o assunto relacionamento abusivo: eles não se referem apenas a relacionamentos amorosos. Existem amizades abusivas e o adolescente deve ter cuidado com esse tipo de abuso.

Sintomas

A depressão no adolescente é difícil de diagnosticar, pois muitos dos sintomas são confundidos com aspectos comportamentais comuns nessa fase. Raiva sem motivações aparentes, tristeza profunda, culpa sem motivos e até mesmo a necessidade de diminuir os outros para se sentir bem. Estes são alguns dos sintomas de depressão nos adolescentes que são confundidas com as oscilações de humor e o comportamento rebelde adolescente. É preciso estar atento e disposto a conversar sobre a motivação deste comportamento. Outros sintomas é o uso de entorpecentes e bebidas alcoólicas, elas podem ser uma forma de escapar do sofrimento da depressão. A perda de interesse, baixo rendimento escolar, sonolência em excesso ou insônia, falta de apetite ou compulsão também são sintomas. Preste atenção se o adolescente aparenta machucados no corpo, principalmente nos braços. A automutilação pode ser outra forma de aliviar o sofrimento. Fique atento se ele mencionar assuntos como morte e sumiço. Podem ser um alerta das ações futuras dele.

Como ajudar?

A melhor forma de ajudar um adolescente na depressão é escutando os problemas dele e realmente levando a sério. O ideal é educar o adolescente desde cedo sobre controle emocional e a externalizar tudo isso, seja escrevendo, fazendo terapia ou outra forma de expressão. Ensine-o desde criança a enfrentar os problemas e a conversar sobre os sentimentos. Isso pode fazer a diferença no período da adolescência. Desconstrua os tabus em torno do tema saúde mental e suicídio, fazer o adolescente entender que sempre é possível buscar ajuda pode fazer a diferença.

Encorajar o adolescente à buscar ajuda psicológica também é importante. A terapia na adolescência pode ajudar na formação do emocional nessa fase de desenvolvimento. É importante lembrar o adolescente que ele não precisa só recorrer à internet para desabafar, que existem redes sociais, mas falar com um adulto é a melhor solução à curto prazo. Contatar o grupo social em que o adolescente costumar estar inserido também pode ser importante. Conversar sobre depressão deve deixar de ser tabu e não há vergonha em recorrer aos amigos em momentos como este.

Como adulto responsável, é o dever dele buscar a raiz do problema. Nenhuma conversa fará com que o bullying sofrido na escola ou qualquer outro tipo de abuso acabe. Se possível, entre em contato com os professores do adolescente, eles costumam observar o comportamento dos alunos e dizer se o desempenho escolar caiu por algum motivo que pode ser a causa da depressão.

Tratamento

O tratamento em adolescentes envolvem principalmente a psicoterapia. O profissional da psicologia irá guiar o adolescente a buscar inteligência emocional. Porém, só a psicoterapia pode não ser o suficiente. Um médico psiquiatra deve acompanhar o caso e se for necessário, prescrever antidepressivos adequados para o diagnóstico de depressão. É importante lembrar que a alimentação influencia no quadro de depressão e que uma dieta apropriada pode ser necessária.

Fontes:

http://www.scielo.br/scielo.php/estrutura-e-suporte-familiar.pdf 

https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/engajamento-escolar-e-depressao/

http://www.scielo.br/pdf/csp/v24n10/14.pdf