Depressão infantil

Atualmente a depressão é considerada uma doença neuro atípica, causada por uma disfunção bioquímica no cérebro. Biologicamente, há uma falha nos neurotransmissores da sensação de bem-estar. Porém, há fatores psíquicos e sociais que podem desencadear um quadro de depressão. A pessoa que sofre com a depressão sofre muito mais que os sintomas mais conhecidos, como a melancolia e a tristeza. Junto com esses sintomas estão os problemas físicos, como insônia ou sono em excesso, falta de apetite ou compulsão por comida, falta de energia para as tarefas básicas do dia-a-dia. Entre os sintomas psicológicos estão a tristeza profunda e constante, mau humor, isolamento social, insegurança, medo, falta de concentração e baixa auto-estima.

Urso de pelúcia com cartaz com carinha triste

O diagnóstico da depressão deve ser feito por um médico psiquiatra, encaminhado geralmente por um psicoterapeuta. Ambos irão trabalhar em conjunto para ajudar o paciente a tratar da depressão. Geralmente o tratamento usado é com remédios antidepressivos, que costumam regular os níveis de serotonina no corpo.

Entretanto, a depressão não é uma doença que atinge somente adultos. Tem sido um problema comum nas fases mais novas da vida, como infância e adolescência e ao contrário dos adultos, os sintomas não são tão claros e fáceis de perceber. Saiba mais agora sobre a depressão na infância.

O que causa a depressão infantil?

Um dos motivos mais recorrentes são situações traumáticas. Brigas constantes no ambiente familiar, divórcio dos pais, mudança de escola, perda de amigos e em casos extremos situações de abuso sexual. Maus tratos e convivência com familiares alcoólatras ou usuários de drogas também podem desencadear depressão na criança. O convívio social da criança também pode ser uma das causas da depressão. Casos de bullying na escola, ou até mesmo violência podem fazer a criança ficar depressiva. Preste atenção no comportamento da criança e tente conversar sobre a escola. Fique atento se ele demonstrar qualquer sinal de receio ou não querer falar sobre o dia na escola. Pode ser sinal de bullying.

Sintomas

A depressão em adultos apresenta sintomas que são fáceis de sistematizar e resultar num diagnóstico clínico muito próximo do que o paciente realmente sofre. Em crianças o diagnóstico fica complicado, pois envolve muito a mudança de comportamento e como a criança exterioriza estes sintomas. Mudanças comportamentais é o primeiro sintoma da depressão infantil. Uma criança ativa e curiosa que deixa de buscar coisas novas e não sente vontade de brincar é um sinal de alerta. A perda de interesse em atividades que ela se interessava antes, irritabilidade, choro excessivo, birra sem motivo podem ser sinais de alerta para os pais.

Outros sintomas presentes são a dificuldade de concentração e raciocínio, falta ou excesso de apetite, excesso de culpa por coisas que não aconteceram, sensação de cansaço constante, falta de energia para brincar e realizar outras atividades e tentativas de se machucar. Na escola esses sintomas podem se apresentar como falta de responsabilidade condizente com a criança e a agressividade.

Como diagnosticar?

O diagnóstico é feito por um médico e por um psicólogo. É feito a análise do histórico da criança e dos desenhos dela. Os desenhos são muito importantes para o diagnóstico preciso da depressão infantil, pois a criança ainda não tem capacidade emocional de verbalizar com precisão o que sente. O diagnóstico leva tempo para ser feito, pois como a criança está em constante desenvolvimento, os sintomas podem ser facilmente confundidos com desenvolvimento da personalidade, como timidez e irritabilidade. Os pais devem ficar atentos se essas mudanças comportamentais são acompanhadas de tristeza constante e falta de energia. Ao primeiro sinal de perda de peso, insônia e irritabilidade sem motivo é necessário buscar um médico pediatra para melhor orientação.

Como tratar depressão infantil?

O tratamento da depressão infantil é mais amplo que a depressão em adultos. É necessário contar com uma rede de apoio que conte com o médico pediatra, psicólogo, professores e os pais. É um processo longo e é necessário muito paciência para ajudar a criança. Buscar conhecer o ambiente que a criança vive diariamente fora de casa é muito importante, é mais fácil de diagnosticar a raiz do problema, se por exemplo, a criança sofrer com bulying dos colegas ou pressão para ir bem na escola.

Criança com olhar apático

Pode ser que o uso de medicamento seja indicado, deve-se ter um cuidado rigoroso ao remédio receitado para a criança e prestar atenção a qualquer efeito colateral, pois pode prejudicar o desenvolvimento psíquico da criança. O acompanhamento psicológico com um profissional da área também é essencial.  Conversar com a criança para que ela aceite ajuda de um profissional muitas vezes pode resolver o problema por si só. Por fim, observar se o ambiente familiar não é o que está desencadeando o quadro depressivo do seu filho é importante. Basta olhar em volta e pensar se a sua família é um lar e se seu filho se sente confortável e seguro nele.

 

Fontes:

http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psipesq/v3n1/depressao-infantil-e-a-familia.pdf

http://www.scielo.br/pdf/pe/v10n2/depressao-crianca-estudos.pdf

http://www.fiocruz.br/media/depressao_infantil_diagnostico.pdf