Depressão Pós-Parto

Causado pela baixa hormonal após o nascimento do bebê, a depressão pós-parto é um problema bastante comum. Envolve tanto a questão biológica da queda hormonal – constante durante a gravidez – quando o estresse pelo nascimento do novo integrante da família. A depressão pós-parto pode gerar desinteresse pelo bebê, insegurança, melancolia, falta de apetite e insônia ou sonolência. Os dias seguintes ao nascimento do bebê costumam ser duros e solitários e as mães precisam estar cientes e preparadas que essa fase pode atingir elas.

 

Mulher chorando no chão e o bebê ao lado

A depressão pós-parto é parecida com o baby blues só quem intensidade maior. O baby blues atinge aproximadamente 60% das mães e surge até duas semana depois do parto. O baby blues dura pouco tempo e a mulher experimenta um mix de sentimentos, causados pela exaustão de parir e pela queda hormonal. O baby blues é caracterizado por exaustão, melancolia, tristeza, choro frequente e forte alteração no humor. Quando a duração é maior do que o período de três semanas talvez seja hora de buscar ajuda, pode ser depressão pós-parto.

No período pós-parto a nova mãe se sente sobrecarregada e insegura, mas principalmente se sente culpada por não sentir a felicidade que desde sempre é ensinada a sentir quando nasce um filho. A pressão social para se sentir feliz e saber cuidar bem do bebê pode ser uma causa para a depressão pós-parto. A mudança brusca da rotina também pode desencadear tanto o baby blues quanto a depressão pós-parto.

Maternidade real – depoimentos

Ultimamente na Internet tem surgido um movimento chamado Maternidade Real, que junta depoimentos de mães e gestantes que contam como é a vida real sendo mãe, desmistificando o conto de fadas que foi criado em torno da gravidez. Confira o relato de duas mulheres sobre a maternidade e sobre a depressão pós-parto.

É muito comum mães relatarem que acham que os bebes tem problemas, que não amam os bebes momentos depois do parto e que sentem uma grande ansiedade acerca dos cuidados com os pequenos. É necessário ter atenção se esses sintomas durarem mais tempo que o considerado normal.

Tratamento

Se persistirem os sintomas por mais de duas semanas, junto com a melancolia e a tristeza profunda, é necessário a busca médica e o tratamento mais rápido possível. Mesmo que as novas mães não sintam outros sintomas pode ser muito saudável buscar ajuda psicológica. Só o psicólogo conseguirá guiar a nova mãe sobre a insegurança, ansiedade e os seus sentimentos pelo bebê recém nascido. Além disso, poderá evitar uma depressão posterior ao parto, estresse, sobrecarga de função e outros problemas relacionados.

Se preparar antes do nascimento do bebê também é uma opção. Busque uma rede de apoio familiar e à gestante (conhecidas como doulas) para ajudar depois do nascimento do bebê. Contratar uma pessoa para ficar responsável pelas tarefas domésticas também pode ajudar muito a mãe. Se você é conhecido da gestante e quer ajudar com o bebê, ofereça-se sempre para ajudar com as tarefas domésticas, para cozinhar ou até mesmo olhar o bebê enquanto ela toma um banho adequado. Esse tipo de apoio e presença é muito importante e pode evitar o caso de depressão pós-parto. Conversar com o(a) parceiro(a) sobre a distribuição de tarefas após o parto também pode ajudar a aliviar a carga e a pressão que as mães geralmente relatam.

 Desenho de mulher segurando bebê

Em casos de depressão pós-parto clinicamente diagnosticado, é possível que a gestante tenha que começar o uso de medicamentos antidepressivos. Muitas mães e grávidas ficam em duvidas em relação aos medicamentos em geral durante o período de gestação e amamentação. É necessário o acompanhamento do médico ginecologista e do psiquiatra sobre o tratamento da mulher. Será necessário avaliar o histórico depressivo e decidir juntos se será necessário o uso de medicação antidepressiva. Não há indícios científicos que comprovem que o uso desse tipo de medicamento provoque alguma má formação no feto e que atinja o bebê durante o período de amamentação. A indicação de especialistas é de reduzir ao mínimo a medicação e nunca cortar, já que as chances de recaída são de aproximadamente 20% durante a gravidez e após o parto as chances são muito mais altas, principalmente com a queda hormonal. Em casos especiais os médicos podem receitar o aleitamento artificial, com fórmulas especiais para bebês. Isso evitará qualquer possível efeito colateral no bebê e pode diminuir o sofrimento da mãe.

Depressão pós-parto tardia

Aproximadamente 20% das mães de bebês com até um ano de idade apresentam sintomas de depressão. Geralmente o acompanhamento do obstetra se encerra após o nascimento do bebê, porém os sintomas da depressão pós-parto tardia podem se agravar nesse meio tempo. É necessário a mulher passar por um check-up após o nascimento do bebê para saber se os níveis hormonais estão em ordem. Um dos sintomas mais percebidos entre as mulheres com depressão pós-parto tardia é a pouca interação com a criança. Geralmente percebida pelo pediatra do bebê. Nesses casos se faz extremamente necessário a busca por um psicoterapeuta.

 

Fontes:

http://www.scielo.br/pdf/pusf/v10n1/depressao-pos-parto-fatores.pdf

http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n3/depressao-interacao-mae-bebe.pdf

https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/unidade12_ft_depressao.pdf